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‘Mãe’ do Cidade Limpa fará plano de paisagem

A arquiteta e urbanista Regina Monteiro foi contratada pelo prefeito João Doria para elaborar o primeiro Plano Diretor da Paisagem de São Paulo

Por Estadão Conteúdo 25 jun 2017, 12h46 | Atualizado em 5 set 2025, 09h26
Copan
Copan (Mariana Oliveira/Veja SP)
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Autora da Lei Cidade Limpa, Regina Monteiro, de 60 anos, está de volta à prefeitura após quatro anos afastada. A arquiteta e urbanista foi contratada pelo prefeito João Doria (PSDB) para elaborar o primeiro Plano Diretor da Paisagem de São Paulo. A futura lei vai estabelecer regras para a exposição de peças publicitárias derivadas de parcerias com a iniciativa privada, um dos focos da atual gestão. O projeto também tem por objetivo ampliar a visibilidade de construções consideradas referenciais na capital.

Regina explica que a Lei Cidade Limpa, aprovada há mais de dez anos, prevê a exploração da publicidade na capital, mas desde que limitada a espaços públicos e liberada como contrapartida a serviços prestados à população, via concessão ou termo de cooperação. “Nada, porém, que remeta ao que tínhamos antes. Outdoors, por exemplo, vão continuar vetados.” Ela cita o sistema de compartilhamento de bicicletas, patrocinado por um banco sem custo para a Prefeitura, como modelo ideal.

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“O plano vai regular a propaganda nos locais certos. Vamos estudar quais as propostas de interesse da cidade e colocar um preço nesse mercado. Quanto vale a paisagem? Temos de ter o cálculo para podermos projetar as novas concessões e cooperações. A publicidade tem de dar retorno para a população, por meio de bons serviços públicos”, afirma.

Segundo já anunciado, futuros banheiros públicos – o plano prevê 800 – deverão ser viabilizados com empresas a partir de contrapartida publicitária. Ou seja: quem instalar e manter poderá expor a marca ou vender o espaço a terceiros. Modelo semelhante pode ser adotado nos parques municipais e até nas pontes das Marginais do Tietê e do Pinheiros, que passarão por reformas custeadas pela Qatar Airways.

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De acordo com Regina, contratada como assessora direta do presidente da SP Urbanismo, José Armênio Brito, o trabalho será feito a longo prazo e com participação popular. “Vamos estudar as referências arquitetônicas de cada bairro. Faremos audiências regionais antes de propor o projeto de lei para ouvir as pessoas.”

A gestão agora estuda o formato de interação. “Já estamos pensando em oferecer uma espécie de formulário para receber as sugestões”, adiantou Brito. “Além de regular a publicidade, nosso objetivo é revelar a história da cidade. Nossos atrativos turísticos não se resumem à gastronomia apenas.”

Regina quer tomar como base planos da paisagem reconhecidos em todo o mundo, como os de Barcelona, na Espanha, e de Paris, na França. “Lá, as referências arquitetônicas são valorizadas. Em Paris, por exemplo, nenhuma construção pode impedir a vista para a Torre Eiffel”, exemplifica. A urbanista reconhece, no entanto, que São Paulo não cresceu de forma ordenada e, por isso, muitas das referências arquitetônicas da capital estão sufocadas por outras construções, como é o caso da Catedral da Sé.

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“Mas nem tudo está perdido”, diz ela. “O prédio do Tribunal de Justiça, por exemplo, na frente da catedral, pode ser mais valorizado com um bom plano paisagístico. É o que vamos tentar fazer. As cidades têm de ter referências.”

Está no planejamento da gestão Doria criar incentivos para recuperação de imóveis abandonados ou tombados, como o Edifício Copan, por exemplo. Ao longo da elaboração do Plano Diretor da Paisagem, serão propostos novos usos para a publicidade externa, como o envelopamento de obras paradas, cujo esqueleto atrapalha a paisagem. “Uma ideia é propor ao responsável que envelope sua obra com telas ilustradas ou mesmo com algum tipo de anúncio, que pode ser revertido para a conclusão do projeto”, diz Regina.

“Em troca, poderíamos estipular um prazo para o término da obra. Isso para evitar a degradação do espaço público. Proteger a paisagem é valorizar, embelezar a cidade”, completa ela, já instalada no Edifício Martinelli, o primeiro arranha-céu da América Latina e hoje símbolo das tentativas de revitalização do centro.

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