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“A Senhora de Dubuque” peca pela falta de unidade

De visual atraente, com cenário, figurinos e iluminação bem cuidados, encenação falha na direção do texto e dos atores

Por Dirceu Alves Jr. 4 fev 2011, 23h45 | Atualizado em 5 dez 2016, 18h18
“A Senhora de Dubuque” peca pela falta de unidade Priorizar nos meus resultados Google

Conhecido sobretudo por “Quem Tem Medo de Virginia Woolf?”, o americano Edward Albee não é um dramaturgo de fácil digestão. Suas peças transitam entre a tragédia, o drama e a comédia sem um limite rígido. Mesmo sendo uma obra menor, o drama A Senhora de Dubuque segue um estilo híbrido, e desvendar as ironias do autor torna-se um desafio aos que decidem montá-lo. Dirigido por Leonardo Medeiros, o espetáculo foca-se na morte por meio dos personagens Jo (Alessandra Negrini) e seu marido, Sam (Joaquim Lopes). Eles recebem outros dois casais (Luciano Gatti/Patricia Pichamone e Sérgio Guizé/Carolina Manica) para uma noite de drinques. Jo padece de uma doença incurável e se mostra intolerante. Na manhã seguinte, a chegada de uma estranha mulher (papel de Karin Rodrigues) e seu acompanhante (Edson Montenegro) acelera a crise.

De visual atraente, com cenário, figurinos e iluminação bem cuidados, a encenação peca na direção do texto e dos atores. O caminho tragicômico perde-se diante do drama e do excesso de graça. Esse humor, beirando o absurdo, soa descompassado principalmente nos movimentos de Montenegro e no desconforto de Karin com as variações de sua personagem. Se o distanciamento de Alessandra contribui em parte para a composição, um equívoco foi confiar papel de tamanha carga emocional ao imaturo Joaquim Lopes. O restante do elenco consegue extrair pequenos resultados dessa diversidade, mas não alivia a falta de direcionamento da montagem.

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